CONTAF

This blog is written by the Applied Arts/ Ceramics undergraduate course staff, at the Federal University of São João del-Rei, Brazil. We'd like to share our experience, our work and research results and, of course, present our place and introduce you our people.



No ano de 2010 o curso de Artes Aplicadas recebeu o CONTAF - Congresso Nacional de Técnicas para as Artes do Fogo, principal evento na área da cerâmica e que foi realizado nas dependências da UFSJ, dias 20, 21 e 22 de outubro.



sábado, 30 de outubro de 2010

Oficinas do Contaf 2010: Construção de um forno de Cupinzeiro

A professora Zandra Coelho de Miranda apresentou no Contaf uma oficina de construção de forno para cerâmica utilizando um cupinzeiro.
O cupinzeiro obtido é bem grande (aproximadamente 1,50m de altura, além de largo. Foi levado até o pátio dos fornos da Oficina Escola de Cerâmica da UFSJ com o auxílio de um caminhão.
É possível fazer fornos com cupinzeiros menores.
O primeiro passo é serrar a tampa do cupinzeiro. Devido à saliva das térmitas, o barro exterior endurece, ficando resistente à água. Portanto esta é uma operação que exige bastante esforço.
Detalhe do corte da tampa do forno de cupinzeiro.
O cupinzeiro é adequado à construção de fornos porque, além de ser feito de barro, é todo aerado, pois as térmitas cavam galerias dentro dele. Isso torna o material um excelente isolante térmico. Além de ser gratuito, bastando para isso ser escavado do solo e transportado até o local.

Após a retirada da tampa cortada, é hora de delimitar a espessura da parede (aprox. 15 cm) e escavar o interior.
Ele só é duro próximo à casca, por dentro é mais macio de ser ocado. Vejam os furinhos das galerias das térmitas.
Aqui, a professora Zandra terminando de escavar o interior do cupinzeiro.

Há um furo na base, que serve de câmara de combustão (boca de fogo), onde foi colocada uma grelha de metal.

No lado oposto à tampa foi feito um furo, que será a chaminé.

Os congressistas participantes dessa oficina já esmaltaram umas peças, que aguardam junto ao forno para serem carregadas.

Uma vista do interior do forno, com a placa refratária sobre a qual são colocadas as peças.

A professora Zandra acendendo a fornalha para iniciar a queima no forno de cupinzeiro.

O forno, ao final da queima, atingiu mais de 1.000 graus em atmosfera neutra, e a queima durou aproximadamente 5 horas.
Fotos: Luciana Chagas
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domingo, 24 de outubro de 2010

Oficinas do Contaf 2010: Construção de forno catenário

O professor Francisco José Figueiredo apresentou a construção de um forno catenário bi-combustível (lenha e/ou gás).
Primeiro, ele traça as diretrizes para os pedreiros construírem a base de tijolos sobre a qual o forno será apoiado.

Com um molde metálico do arco catenário, ele inicia a construção da abóbada.

A primeira camada é de tijolos isolantes, dispostos pela sua espessura.

O molde é suspenso com tijolos, assim ficará mais fácil removê-lo quando o arco de tijolos estiver concluído. No interior, vê-se a grelha de tijolos ocupando todo o lado direito do piso do forno.

À esquerda, a saída da chaminé começa a ser construída.

O arco catenário é estruturado com tijolos refratários pesados, em forma de cunha.

Esta é uma estrutura que se sustenta por si mesma assim que o molde metálico do arco é removido.
A parede traseira do forno, quase construída.

Estes são os pôsteres expostos pelo professor Francisco Figueiredo.

O Prof. Francisco também fez uma simulação de queima por computador.

A chaminé, que deve ser 1,5 vez a altura da câmara.

Esta é a parede frontal do forno, com a entrada de gás à esquerda e a porta de tijolos removíveis ao centro.

O Professor Francisco Figueiredo e o forno concluído. Este forno atinge 1.100 graus.
Fotos: Luciana Chagas
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Oficinas do Contaf 2010: como construir um forno portátil

Francisco Alessandri, o Xico, estudante do curso de Artes Aplicadas da UFSJ e ceramista profissional, propôs uma oficina de construção e queima em forno portátil para cerâmica.
Seu projeto vem de pesquisas feitas sobre o Shichirin, forno japonês a carvão que mimetiza um braseiro ou "grill". A corpo do forno é um vaso torneado de argila chamotada.
Outros acessórios, todos em argila chamotada, são a tampa abobadada com furos, placas internas para sustentar a tampa e um bocal redutor, como vistos na foto.

Após biscoitar a peça, Xico revestiu o interior com manta de fibra cerâmica de 1 polegada, amarrando as placas internas com fio de Kanthal.
Francisco Alessandri e seu forno portátil para cerâmica.
Durante o Contaf 2010 (São João del Rei), Xico compartilha o processo de pesquisa, construção e queima com os participantes do congresso, na oficina "Como construir um forno portátil".
Xico acopla o termopar digital a bateria, para observar e controlar a temperatura durante a queima.
Construída uma fornalha de tijolos comuns, Xico faz a queima com carvão e lenha. Usa um secador de cabelo para criar circulação de ar quente no forno.

Este forno portátil para cerâmica atingiu 1.100 graus e estas são as peças nele queimadas. Algumas delas estavam esmaltadas.
Fotos: Luciana Chagas
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sábado, 23 de outubro de 2010

Diário de Nina Hole no Brasil: último dia

Quinta-feira, 21 de outubro de 2010:
No dia anterior, havíamos visto o momento culminante do processo de queima da escultura de Nina Hole.
Aqui, a escultura aparece ainda envolta nos ferros e telas de aço.
Removidos os tijolos e os metais, vemos a escultura com sua superfície complexa, composta de várias camadas de terra sigilata, além das manchas provocadas pela queima a lenha, pelo sal e serragem utilizados na performance.
Ao nascer da lua, a escultura revela sua presença no espaço.
Fotos: Luciana Chagas
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Diário de Nina Hole no Brasil: décimo quinto dia

Quarta-feira, 20 de outubro de 2010:
Hoje é o primeiro dia do Contaf. O céu se abriu, as nuvens foram embora e o sol está de rachar. A tenda foi completamente removida e a escultura queima há dois dias até agora.
Ao meio-dia, ganhamos um guarda-sol para poder acompanhar a queima com mais conforto.

As duas fornalhas agora têm que ser alimentadas continuamente, para que a temperatura não caia.
Essa foi a minha primeira experiência com queima a lenha.
Por volta das 14h, Nina pediu para que fosse feita uma cerca em torno da área de queima, já que havia muita gente indo e vindo.
Os participantes do Contaf, sempre muito interessados, também observaram nosso trabalho e tiraram muitas fotos.
Nina não sai de perto da escultura.
Por volta das 16:30h, Nina, Renata e Ann-Charlotte resolvem remover um pedaço de manta do topo do forno, para aumentar a tiragem da chaminé.

Às 17:30h, o pirômetro marcava 920 graus.
O professor Rogério Godoy fez uma participação especial na queima!

Às 18h, as labaredas começam a sair pela chaminé.
Encerrada a programação de palestras do Contaf, os congressistas tomam assento em torno da área de queima e assistem, numa reunião muito agradável num lindo final de tarde.

Ao cair da noite, o forno em redução se ilumina totalmente. O pirômetro já tinha sido removido 1 hora antes, e a expectativa é de que a manta seja removida a 1.100 graus por volta das 20h.

Finalmente, às 20:40h, o grande momento: Com a área apinhada de gente, mantida a uma distância segura, Nina, Renata, Ann-Charlotte e Marcopolo removem a manta, usando ganchos feitos com vergalhão de ferro. O público entra em êxtase.

Inês Antonini e Gêra Queiroga ajudaram a puxar a manta para fora, usando tenazes de Raku.
Este é o aspecto da escultura no exato momento em que a manta foi removida. Notamos um dano na parede lateral.

Nina Hole distribuiu ao grupo de estudantes de Artes Aplicadas da UFSJ que participaram do processo pequenos baldes com serragem e sal para que eles jogassem sobre a escultura ainda quente, criando efeitos visuais performáticos, que irão aparecer em forma de manchas na escultura após o resfriamento. É uma cena linda!
Dois canais de televisão vieram entrevistar Nina Hole durante o evento.
Fotos: Marcelo Witt e Luciana Chagas
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